domingo, 18 de novembro de 2012

6 - A Srª Merkel, a Greve, e as Manifestações


Devo começar por dizer que não nutro qualquer simpatia, pelos alemães. Na minha primeira viagem à Alemanha fui tratado de modo pouco próprio.
A srª Merkel foi convidada a visitar Portugal. Quer se goste quer não,  é de boa educação receber bem as pessoas que nos visitam, e eu não tenho dúvida que a generalidade dos portugueses recebem bem aqueles que nos visitam. É verdade que os manifestantes foram apenas meia dúzia de pessoas, mas mesmo assim, arvorando-se em representantes de milhares de pessoas. Faz-me lembrar os pequenos partidos quando das eleições, mesmo que tenham menos deputados e menos votos ganham sempre. Estes quando são poucos representam muitos. A comunicação social (em particular o serviço público) apenas ouviu os manifestantes e outros que estavam contra a visita da Senhora. Não havia ninguém neste país que estivesse de acordo com a visita? Dava muito trabalho a encontrar, tiveram muito mais trabalho a acompanhar todos os passos. Parecia quase um relato de futebol, já aterrou, já vai a caminho de Belém, já chegou a Belém, está com o Presidente da Republica há x minutos, etc, etc,..  com os respectivos meios humanos envolvidos, deve ter custos enormes. No meu ponto de vista não se justifica tal pormenor de reportagem, depois lá vêm os prejuízos, que todos temos de pagar! O mesmo disparate costumo ver, quando há aqueles jogos de futebol entre os "grandes", só falta dizer a cor das cuecas dos jogadores.
Ainda relativamente à visita eu vejo-a muito mais como um acto político, não só em termos nacionais como até europeus. Escalpelizando um pouco melhor a situação, eu acho que Portugal em relação à Alemanha está um pouco como uma família que pediu dinheiro ao banco e agora não consegue pagar,
a partir daí é o banco que define as regras.
Talvez o valor dos juros que nos estão a debitar seja exagerado, mas de quem é a culpa, Portugal põs-se a jeito, agora sofre as consequências. Quando o dinheiro estava a chegar estavam todos muito satisfeitos, ninguém se manifestava, mas agora que é preciso, não é pagar, mas apenas não aumentar muito dívida, é que toda gente protesta. Não tenham a mínima dúvida, todos temos de aprender a viver com menos, e quem sair disto, está mais uma vez a enganar a malta. Isto de fazer empréstimos para ir de férias já lá vai. Quem não tem dinheiro não tem vícios.

A Intersindical ou PCP (é a mesma coisa), promoverão sempre protestos contra qualquer governo. Claro que numa situação em que há insatisfação geral (eu também estou insatisfeito, fui largamente atingido em direitos adquiridos) é mais fácil promover uma greve geral. Será que foi a maior greve geral, não, nem próximo. Foi inteligente o governo em não entrar na guerra das %. Vejamos alguns exemplos:
   - Relativamente aos hospitais só ouvi falar em blocos operatórios fechados, e é fácil perceber porquê, basta a falta um dos elementos para não poder funcionar (isto para os sindicatos é greve de todos os elementos do bloco, o que não é verdade). Tanto quanto a comunicação social informou as consultas externas de modo geral até funcionaram. Num centro de saúde, basta que façam greve as duas funcionárias do atendimento, para o centro ter de fechar ( então é greve de todo o centro de saúde, não!).
   - Uma situação semelhante se passou nas escolas. Quando uma escola fechou, não quer dizer que toda a escola fez greve, bastava que o nº de auxiliares presente não fosse suficiente para não garantir o bom funcionamento. A escola podia ter estado fechada mas com professores lá dentro, que não aderiram à greve.
   - Nos transportes existe ainda um factor adicional - os piquetes de greve. Para que servem, é para esclarecer os trabalhadores? Não, é para fazer chantagem sobre aqueles que no seu direito não  aderirem à greve, e muitas vezes só com a protecção da polícia o conseguem fazer. Esta é que é a democracia, uns quantos a pensarem por nós, e todos como "carneirinhos" a fazer os que os iluminados decidiram.
Mas para que serve a greve geral:
- Para o governo saber que há insatisfação nos trabalhadores? Já sabia há muito tempo.
- Para provocar a demissão do governo? Para irem para lá outros políticos, para fazerem o mesmo ou ainda pior, e haver um intervalo sem governo, para voltarmos a ter uma situação de não haver quem nos empreste dinheiro ou seja uma situação como a Grécia que é ainda pior que a nossa.
- A greve geral só tem um efeito, o País ficar um pouco pior do que já está, e vamos ser nós que mais cedo ou mais tarde vamos sofrer essas consequências.

Já agora mais uma coisa que eu não consigo perceber, porque é que a seguir à greve geral, teve de haver uma manifestação. Parece-me que a greve geral, até pela cobertura que a Comunicação Social lhe dá, em que dá apenas relevo, e às vezes errado, a quem faz greve e não dá a mínima informação de quem não faz greve, já é uma manifestação. Será que é preciso dar trabalho aos manifestantes profissionais, então assim eles não fazem greve!
Relativamente às manifestações duas coisas queria sugerir ao Governo:
   - Proibir gente mascarada, esses deviam logo ser presos e identificados. A partir desse momento provavelmente as manifestações passariam a ser mais pacíficas.
   - Quem organiza a manifestação devia ser responsável por ela. Só se infiltram lá gente doutro tipo se eles quiserem. Eles conhecem-se suficientemente bem para identificarem quem lá não pertence. Assim evitava-se que uns "cobardolas", que a coberto das multidões, como fazem no futebol, também comecem agora a fazer nas manifestações.
Rame

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