O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos e dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons». (Martin Luther King)
sábado, 24 de novembro de 2012
7 - O Pluralismo da Comunicação Social
A comunicação social, que diz defender o pluralismo, a independência, e a liberdade, tem ultimamente, de um modo geral, mantido uma parcialidade vergonhosa. Confesso que me fazia alguma confusão, porquê tal oposição ao governo, às vezes de um modo até ridículo. Num jornal vi um comentário que me esclareceu totalmente e que é coerente com o que tenho vindo a observar. Não resisto a reproduzir alguns dos parágrafos desse artigo, que me parecem elucidativos:
- "É sabido que nós os jornalistas, gostamos das más notícias";
- "Nós temos uma volúpia pelas notícias negativas - e, obviamente, por aquelas que põem em causa os senhores do poder";
- "Nós assumimo-nos como contra-poder e temos meio para virar do avesso, às vezes, uma declaração";
- "Nós achamos que as más notícias vendem mais, sobretudo quando as pessoas andam revoltadas com o Governo";
- "O Governo anunciou a intenção de privatizar a RTP o que desagradou a todos";
- "Sendo nós maioritariamente de esquerda, estaremos sempre contra governos de direita";
- "Nós também somos directamente afectados por esta política - seja pelo aumento dos impostos, seja pela perda de subsídios, seja pela ameaça de despedimentos";
Estas são apenas algumas frases que foram tiradas do contexto, e que acompanhadas de alguns exemplos, vêm mostrar a comunicação social que temos neste momento no país, com algumas e raras excepções, como é o caso.
Deixem-me dar dois exemplos de como a Comunicação Social perverte o conteúdo das notícias, em alguns casos apresentando precisamente o oposto:
1 - Fernando Ulrich, há umas semanas, deu uma entrevista no Canal 1, a que eu assisti. Analisando com independência a entrevista, podemos dizer que veio defender a atitude do governo. A frase "o ministro das finanças é a pessoa certa no lugar certo", e apresentando números que justificam que o governo já reduziu de modo significativo a despesa ( não como alguns comentadores de "meia tijela" que apenas sabem dizer que o governo devia reduzir a despesa). Além de outros exemplos, normalmente acompanhados de nº, concluía que o governo estava a fazer um bom trabalho. Apresentou ainda duas sugestões:
- Dada a contestação (a maior parte manobrada, e em muitos casos apenas de meia dúzia de arruaceiros), achava que se devia, talvez lá para Maio, fazer eleições, para ficarmos todos a saber aquilo que a população pensa.
- Que alguns dos desempregados fizessem estágios nas grandes empresas, e abria a porta para o BPI, receber uns quantos.
Em relação à primeira eu estou em desacordo, pelos custos intrínsecos, pelos custos da mudança se a houver, e ainda por podemos deitar fora tudo o que já nos custou.
Em relação à segunda, acho a ideia excelente e gostava muito que o governo a acolhesse, até porque bem negociado, estas empresas podiam participar, ainda que numa pequena parte no Subsidio de desemprego, as pessoas aprendiam novas ocupações e sentiam-se úteis.
É relativamente à primeira sugestão que a Comunicação Social mais deturpou o seu conteúdo, chegando ao ponto de dizerem que Fernando Ulrich pediu a demissão do governo!
2 - Uma notícia mais recente, indicava que o nº de urgências nos hospitais diminuiu. Conclusão do serviço público de televisão: é devido ao valor das taxas moderadoras, que as pessoas não podem pagar! Como muita desta gente até é muita fraquinha, fizeram uma entrevista em que ficava claro, que com uma mera constipação as pessoas iam às urgências e agora já não vão. Ainda bem que não vão, mesmo o nome da taxa "moderadora" é para moderar, ou seja, para jornalista entender, evitar que por qualquer pequeno motivo vão às urgências! Além disso deviam saber, que as pessoas de pequenos recursos, não pagam taxas moderadoras.
É isto o serviço público, é para isto que nós pagamos? Agora entendo melhor, porque alguns partidos tanto defendem o serviço público!
Outro aspecto que não entendo, é a razão porque a polícia não pode ter acesso a todas as imagens que o tal "serviço público" gravou. Não se referem a desacatos na via pública? Ou será que convém eliminar umas imagens em que aparecem alguns amigos? Se fosse um polícia a cometer alguma infracção aparecia em primeiro plano. Só queremos a verdade doa a quem doer, e se as imagens foram gravadas é porque é verdade. Aquele argumento, que se aparecerem todas as imagens, no futuro, os Operadores de Imagem, podiam ser agredidos, pressupõe que actualmente só são apresentadas as imagens que interessam aos "arruaceiros". Parabéns ao serviço público, se não fosse obrigado a pagar, nem um cêntimo meu viam.
rame
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